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13/04/2026

16:35

Da coleta de dados à ação no território: ONU-Habitat e Alagoas levam serviços públicos a famílias vulneráveis

Busca Ativa mapeou dados de 7 mil pessoas no bairro Vergel do Lago. Iniciativa agora passa a receber devolutivas de serviços públicos.

Foco em levar os serviços diretamente às famílias mapeadas está no centro do projeto Coração Social, que conecta informações produzidas em campo às políticas públicas estaduais. 

Ação faz parte da iniciativa Visão Alagoas 2030, que contribui para qualificar a atuação intersetorial e ampliar o acesso a direitos para famílias em situação de vulnerabilidade.

Legenda: Na etapa de devolutiva, equipes retornam às residências para dar continuidade ao trabalho iniciado no mapeamento local, com objetivo de levar os serviços diretamente às famílias prioritárias Foto: © Adônis Matos/ONU-Habitat.Legenda: Na etapa de devolutiva, equipes retornam às residências para dar continuidade ao trabalho iniciado no mapeamento local, com objetivo de levar os serviços diretamente às famílias prioritárias. Foto: © Adônis Matos/ONU-Habitat.

Uma nova etapa da parceria entre o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e o Governo de Alagoas foi iniciada, em abril, com o objetivo de conectar o serviço público à população em situação de vulnerabilidade. Depois de uma pesquisa domiciliar realizada com 7 mil moradores do bairro Vergel do Lado, em Maceió, a equipe iniciou um retorno às famílias prioritárias, marcando o início da ação aplicada diretamente no território. 

A ação é parte do projeto Coração Social, que tem como objetivo conectar informações produzidas em campo às políticas estaduais. A primeira etapa foi realizada pelo ONU-Habitat entre abril de 2025 e março de 2026, mapeando as condições de vida das famílias por meio de mais de 2,5 mil entrevistas, que integram a metodologia de Busca Ativa. Esse conjunto de informações permite compreender com maior precisão as dinâmicas sociais e urbanas do território, contribuindo para orientar a atuação das políticas públicas de forma mais direcionada. Do total de núcleos familiares entrevistados, cerca de 39% foram identificados com algum nível de vulnerabilidade. 

Agora, a etapa de devolutiva envolve a atuação direta de secretarias responsáveis pela inserção das famílias em serviços e programas. A atuação passa a se concentrar no encaminhamento ativo dessas famílias, iniciando com ações articuladas com a Secretaria de Estado da Primeira Infância (Secria), por meio do Cartão CRIA, e com a Secretaria de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência (Secdef), incluindo a emissão da Carteira da Pessoa Idosa, que garante acesso à gratuidade ou desconto em passagens interestaduais, e do cartão da pessoa com deficiência, que amplia o acesso a direitos e benefícios voltados a esse público. -. 

Parte dessas ações teve início ainda em 2025, a partir da articulação entre o Coração Social e o programa Corações da Paz, coordenado pela Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev). Nesse período, as informações produzidas pela Busca Ativa passaram a apoiar a organização dos atendimentos ofertados próximo ao território mapeado, contribuindo para qualificar a priorização das famílias e a oferta de serviços. 

Como funciona a Busca Ativa

A Busca Ativa tem como base o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), que considera dimensões como saúde, educação e padrão de vida para identificar níveis de vulnerabilidade e apoiar a priorização das famílias no acesso a serviços e programas sociais. A partir desse referencial, foi estruturado um fluxo de atendimento que envolve qualificação das informações e encaminhamento para políticas públicas estaduais. 

No Vergel do Lago, a aplicação da metodologia ocorre em um contexto urbano e socioambiental desafiador. Localizado na região lagunar de Maceió, o bairro reúne áreas de alta densidade populacional e condições historicamente marcadas por vulnerabilidade social. A escolha do território está diretamente relacionada a esse contexto e à continuidade da parceria entre o Governo de Alagoas e o ONU-Habitat, que desde 2017 desenvolve estudos e diagnósticos na região, como o Mapa Rápido Participativo e o Perfil Socioeconômico. 

De porta em porta, a etapa de devolutiva conecta o mapeamento às ações e serviços disponíveis no território. (Adônis Matos/ONU-Habitat) Legenda: De porta em porta, a etapa de devolutiva conecta o mapeamento às ações e serviços disponíveis no território. Foto: © Adônis Matos/ONU-Habitat.

Para o secretário especial de Planejamento, Orçamento e Governo Digital da Seplag, Phelipe Vargas, essa etapa consolida a articulação entre dados e políticas públicas no território. “A etapa de devolutiva permite organizar a atuação do Estado a partir dos dados produzidos pela Busca Ativa. Com essas informações, conseguimos estruturar fluxos de atendimento e integrar diferentes secretarias, direcionando os serviços com mais precisão para as famílias priorizadas. Isso torna a ação pública mais eficiente e conectada às realidades do território”, destaca.

Segundo a coordenadora do Visão Alagoas 2030, Paula Zacarias, a metodologia contribui para qualificar a tomada de decisão e ampliar o alcance das políticas públicas. “A Busca Ativa fortalece a produção de dados qualificados sobre o território e permite compreender quem são as pessoas que não estão sendo alcançadas pelas políticas públicas. Esse processo contribui para que as respostas sejam mais inclusivas, baseadas em evidências e alinhadas ao compromisso de não deixar ninguém para trás”, afirma. 

devolutiva da Busca Ativa, no âmbito do Coração Social, permitirá acompanhar os encaminhamentos realizados, atualizar as informações das famílias e avaliar os efeitos das ações no território. Ao integrar produção de dados, planejamento e execução de políticas públicas, a experiência reforça o papel da metodologia como instrumento para identificar quem está sendo deixado para trás e apoiar a construção de respostas mais inclusivas, em alinhamento com a Agenda 2030 e o compromisso de não deixar ninguém e nenhum lugar para trás. 

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